Avançar para o conteúdo principal

Vórtice: o terror de tentar estacionar o carro


A curta-metragem portuguesa "Vórtice" foi exibida na última edição do Festival MotelX, tendo sido a curta vencedora do prémio SCML Melhor Curta Portuguesa 2022, e é, de facto, um trabalho muito bem conseguido, principalmente com uma premissa tão simples, mas eficaz, e que se enquadra completamente num cinema dito de género, criando um ambiente tenso do início ao fim, com um twist final interessante, apesar de previsível.

Com uma interpretação muito competente e contagiosa de Cristóvão Campos, o filme flui bastante bem e tem uma dinâmica muito bem construída, com um excelente trabalho de montagem e fotografia. Destaco uma cena em especial, em que o movimento de câmera giratório encaixa perfeitamente com aquele momento no filme, fazendo a ponte perfeita entre o rumo da história, o título e a jornada daquela personagem. Julgo ter sido uma cena exemplar nesse sentido, e que por vezes é raro de se verificar num filme com uma duração reduzida. O que aqui se apresenta como a parte mais fraca na narrativa é a sua previsibilidade, o que não atrapalha a experiência do filme em si.

Estamos perante um excelente pontapé de entrada no mundo da realização por parte do realizador Guilherme Branquinho, demonstrando o seu talento nesta área, assim como a nível de escrita/argumento, e estou bastante curioso para ver quais serão os seus próximos filmes, porque podemos muito bem estar presentes uma carreira promissora para este realizador.

Resumindo, "Vórtice" é uma curta muito bem realizada e interessante, e espero que chegue a um público abrangente.

Classificação: 4 em 5 estrelas. Texto escrito por André Marques.
Vórtice: o terror de tentar estacionar o carro

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Milan Kundera, da Brincadeira à Insignificância": um filme sobre o legado de Milan Kundera

Milan Kundera é um autor envolto em mistério. Não aparece em público e, em 30 anos, não deu uma única entrevista pelo que apenas podemos conhecê-lo através do seu trabalho. Os seus ensaios e reflexões filosóficas são muito reveladores. Este filme, além de outras questões, leva-nos a interrogar: O que é que na obra de Kundera, o elevou ao estatuto de autor lendário? O que há de tão único nos seus livros? Ajudando-nos neste trabalho de investigação, está um estudante que tem uma fantástica oportunidade para conseguir uma entrevista. Após semanas de espera, num café à porta da casa de Kundera, enquanto lê as suas obras, começa a identificar-se com algumas das ideias do autor. É através deste estudante que começamos a perceber melhor a mensagem de Kundera, como e porquê que as suas estórias continuam a emocionar-nos e que pensamos, não apenas nos protagonistas, mas também em nós próprios. Milan Kundera nasceu a 1 de abril de 1929, em Brnö, na antiga Checoslováquia. Em 1975, fixou-se em Par

MOTELX 2022 - Os Filmes Vencedores da 16.ª edição

"Vórtice", de Guilherme Branquinho, é o grande vencedor do Prémio SCML MOTELX para melhor curta-metragem portuguesa, na 16.ª edição do MOTELX. "Speak No Evil", do dinamarquês Christian Tafdrup, arrecada o Prémio Méliès d’argent para melhor longa-metragem europeia. Já são conhecidos os vencedores da 16.ª edição do MOTELX, que desde 6 de Setembro tem mostrado o melhor do cinema de terror nacional e internacional, num ano surpreendente e repleto de público e de fãs. O Festival termina hoje com alguns dos filmes da programação já exibidos e, pelas 21h15, com uma nova oportunidade para assistir às melhores curta e longa europeias. Foram anunciados, na noite passada, durante a Sessão de Encerramento da 16.ª edição do MOTELX, na sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, os vencedores das 5 competições do Festival. O Prémio SCML MOTELX - Melhor Curta Portuguesa 2022 - a maior distinção concedida em Portugal para curtas-metragens (5.000€), com o apoio da Santa Casa da Mis

Dario Argento regressa ao MOTELX para apresentar o seu novo filme “Dark Glasses”

O mestre do terror italiano, o realizador Dario Argento , regressa ao MOTELX para a 16.ª edição do Festival, que decorre entre os dias 6 e 12 de Setembro, no Cinema São Jorge . O mote é a estreia nacional de “ Dark Glasses ” (Itália, França, 2022), o novo giallo do realizador de culto, que recupera as marcas autorais do seu legado e assinala o reencontro com a filha Asia Argento no grande ecrã. O cineasta, que foi convidado especial há precisamente 10 anos, na 6.ª edição do MOTELX, é ainda protagonista de uma masterclass onde vai abordar os seus processos criativos, completada por um Q&A com a plateia e por uma sessão de autógrafos, durante o Festival. Para Pedro Souto e João Monteiro, os directores artísticos do MOTELX, Dario Argento “é a maior lenda do cinema europeu de terror, que teve uma tremenda influência no cinema norte-americano e continua a ser uma referência para muitos cineastas, basta lembrar o recente remake de “Suspiria” ou o papel de protagonista no último filme de